Nos antecipamos ao Nerdologia (uhuuuu! Átila, nos siga rs). Começamos agora a primeira séria do blog Debate Nerd, a série Ciência. O tema da vez é viagem no tempo. Sem mais delongas, vamos ao que interessa.
Viagem no tempo é um tema que tem
povoado o imaginário de muitas pessoas, bem recorrente em Hollywood, mas o que
é fantasioso e o que é real? É possível viajar no tempo? O que seria necessário
para haver um deslocamento temporal? Sendo possível essa realidade, poderíamos
nos deslocar livremente nesse eixo?
O cinema tem sido o maior
referencial quando pensamos em viagem no tempo, geralmente aparecem máquinas mirabolantes
dotados de um dispositivo que leva o tripulante ao ponto do tempo e espaço que
ele desejar, infelizmente esse tipo de ilustração é completamente fantasiosa, o
que é uma pena, pois seria muito legal entrar numa cabine telefônica e viajar
no tempo como em “Fantástica aventura de Bill e Ted” (embora o
filme seja uma porcaria). Por mais incrível que possa parecer, a máquina do
tempo mais “plausível” seria o DeLorean do filme “Back to the Future”, mas com “pequenas”
ressalvas, mas veremos isso logo adiante. Quanto a TARDIS? Ela é plausível pois efetua o deslocamento no tempo e no espaço, o que fisicamente falando é mais correto, entretanto, como não acompanhei "Doctor Who", não entrará nesta análise.
Para desvendar este mistério, vamos
recorrer à física, mais precisamente à teoria da Relatividade Restrita de
Einstein. Antes, todos os físicos iam pelo mesmo viés que Isaac Newton, que,
por sua vez se baseava no princípio da invariância de Galileu, que diz que as
leis fundamentais da física são as mesmas em todos os sistemas de referência inerciais,
entretanto Lorentz percebeu que o Eletromagnetismo não se comportava de acordo
com as teorias de Galileu, depois de muito estudo, foi percebido que as leis da
física variam de acordo com o observador, surge então a Teoria da Relatividade,
que foi publicada por Albert Einstein em 1905.
Tá, mas o que isso tem a ver com
viagem no tempo?
Na Teoria da Relatividade
Restrita (TRR), Einstein postula sobre a Invariância da Velocidade da Luz, isto
é, a Luz tem a mesma velocidade no vácuo para todos os observadores. Devido a
isso, encontramos algumas informações interessantes.
Se a velocidade da luz não varia,
então dois eventos simultâneos em pontos distintos em um mesmo sistema de
referencias, podem ocorrer em tempo e espaço diferentes em outro sistema de
referência. Para entender melhor, assistam ao vídeo abaixo.
Viram o vídeo? Lembrando que “C”
é a velocidade da luz no vácuo. Para quem está tripulando as naves que viajam
paralelamente, o feixe de luz está sendo disparado na perpendicular, mas para
quem observa à distancia, percebe o movimento do feixe de luz percorre um
ângulo obtuso. Ou seja, o intervalo temporal e a distância depende do sistema
de referência em que são medidos. Essa informação resulta no paradoxo dos gêmeos
(link abaixo) que foi muito bem explorado no filme “Interestelar”.
Então percebemos que o tempo e o
espaço são relativos, certo? Percebemos também que para uma pessoa que se
desloque à velocidade da Luz, o tempo passa “mais devagar” do que para uma
pessoa que está em um ponto “fixo”. Então temos aqui uma viagem no tempo?
Sim, temos aqui uma espécie de
viagem no tempo, na verdade um deslocamento no eixo espaço/tempo devido à
relatividade dos mesmos.
Ok, viajamos para o futuro, mas
como que voltamos ao passado? De acordo com a TRR as variações no espaço/tempo
são sempre em um ponto adiante. Ou seja, não é possível desfazer, trocando em
miúdos, não é possível voltar para o ponto de origem.
Eu havia falado que a máquina do
tempo mais plausível seria o DeLorean, mas porque eu disse isso? Bom, simples,
porque o DeLorean é a única máquina do tempo dos cinemas que utiliza a
velocidade como um dos fatores determinantes para a viagem temporal, mas ao
invés de 88Mph a velocidade a ser atingida seria a da Luz. Entretanto,
encontramos aí mais um problema. De acordo com a TRR através da formula E=m.c²,
um objeto com massa jamais poderia atingir a velocidade da luz, porque para
movimentá-lo, necessitaria de energia infinita (e não 1,21 Giga Watt) e, nem
todo o universo junto teria tanta energia. Para se movimentar à velocidade da
luz, precisa ter massa nula, o que inviabiliza por completo uma possível viagem
temporal.
Para finalizar, vamos responder
às perguntas do início do texto.
É possível viajar no tempo? Sim, matematicamente falando, sim. O que seria
necessário para haver um deslocamento temporal? Velocidade da Luz (ou superior)
e massa nula. Poderíamos nos deslocar livremente no tempo? Não, apenas para o
futuro. No fim das contas, por conta que um objeto com massa jamais conseguiria
atingir a velocidade da luz, a viagem no tempo se torna impossível. Mas só de
existir a possibilidade matemática, já deixa um gostinho bom não é mesmo?
Bom, da minha parte é isso.



2 Comentários
show.
ResponderExcluirNa minha mente faz mais sentido vc mudar de dimensão doq voltar no tempo. Quando vi materias sobre a teoria das cordas vi q a gravidade era o elemento mais fraco e que ele poderia estar em 11 dimensões ao mesmo tempo. O sentido em que eu acredito em mudar de dimensao e nao de viajem no tempo é por causa do paradoxo de mudar o seguimento A- B pra A-C sendo q no B eu viajei no tempo para que o C aconteça, se A-B nao existe pq o A-C devem existir? Unica resposta q eu achei é o multiverso.
Fala Bruno, Blz?
ExcluirMan, a teoria das cordas é muito interessante e vai ser muito legal se ela for comprovada irrefutavelmente, infelizmente ela não tem uma boa base científica.
quanto ao seu comentário sobre mudar do segmento AB para AC, sendo que para C existir eu teria que ter passado por B ou viajado no tempo. Entendo que a única maneira disso acontecer de fato realmente é existindo um multiverso, entretanto entraríamos em um outro paradoxo, que é encontrar um outro eu presente. Conseguiríamos sair de A pra C sem passar por B, entretanto ou outro eu teria que ter vivido B para que isso acontecesse. Daí voltamos para o mesmo problema elucidado. Se os universos se assemelham, ou são espelhados, Eu tomarei a mesma decisão que Eu', desse modo nenhum dos Eus viverá B, portanto não chegará a C, sendo este possivel C uma nova versão de B. mas se os universos não se assemelham ou tampouco sejam espelhados, pode-se correr o risco de nem existir um Eu' que tenha passado pelas mesmas experiências a ponto de viver B, para que Eu consiga sair de A para C.
Eita, agora aprofundou hein? bora continuar que o debate está bom!