Considerações – Saint Seiya – Soul of Gold


Terminada mais uma temporada de Saint Seiya, desta vez o celebrado Soul of Gold, tenho visto e ouvido os mais diversos comentários a respeito do final desta série e, humildemente, vou tecer os meus.

Foi muito interessante ter uma saga focada nos cavaleiros de ouro, já tivemos essa oportunidade com o excelente Episódio G, mas que é mal compreendida devido aos traços (ao meu ver Geniais) de Megumu Okada. Para a alegria dos fãs mais “clássicos”, foi escalado ninguém mais e ninguém menos do que Hideyuki Motohashi (The Lost Canvas) para fazer o character design deste anime, então os traços tiveram muitas características que nos remeteram a um misto da saga clássica com TLC, infelizmente a equipe de produção não correspondeu à genialidade de Hideyuki e muitas vezes a qualidade dos traços beirou ao sofrível.

Com relação à trama,  percebi pouquíssimos furos no roteiro, a grande maioria das pontas abertas durante a história se fecharam, de maneira muito clara, entretanto, as maiores delas ficaram sem resposta plausível. A primeira: Porque Odin escolheu os cavaleiros de ouro para esta missão? A segunda: Por que Loki achou que conseguiria dominar e destruir a Terra logo durante a uma empreitada semelhante de um deus ainda maior (Hades)? Perguntas que ficarão sem resposta, mas que não interferiram tanto para nossa diversão e para a apreciação deste, que foi um dos melhores Spin-off da franquia (no meu conceito, perde para TLC). A trama foi bem desenvolvida, a busca implacável dos Golds para saber o significado da sua nova vida foi bem explorado, fez sentido no final e nos apresentou várias surpresas, ruins e boas.

As ruins: Alteração da personalidade de Dohko e Máscara da Morte e comportamento estranho de Camus.

O Mestre Ancião nos foi apresentado como um Bon-Vivant que queria apenas saber de “curtir” esta nova vida. Essa característica não combina com o personagem da série clássica, pois espera-se que o velho mestre sempre busque o significado das coisas que estão ocultas, tentar trazer a tona a verdade que ele preza, fazendo todo possível para lutar pelo que acredita. Essa característica reapareceu durante a série e se firmou no final, fazendo sumir a personalidade egocêntrica do inicio.

Quanto ao Máscara da Morte, alteração sem sentido de sua personalidade, o MDM que conhecemos é sádico e psicopata, mata por prazer. Sabemos que psicopatia é uma doença psiquiátrica cuja cura se dá com extremo tratamento. O psicopata sabe distinguir entre o bem e o mail, a diferença é que ele calcula o ônus e o bônus de cada uma de suas ações. Um Psicopata não se importa com os sentimentos dos outros. Na saga clássica vimos a aplicação disso, no arco do santuário ele aparece como alguém que pratica o mal, sádico e violento, na arco Hades, vemos ele sendo sádico e violento, mas praticando o bem (mesmo não parecendo). Em SoG nosso canceriano perdeu essa característica, ele aparece totalmente diferente do que estamos acostumados e com comportamento imbecil de tão apaixonado. Fugiu de sua personalidade original. Pode-se falar: “ah, mas se não fosse assim, a armadura de câncer não o aceitaria de volta”, mas digo que sim, a armadura o aceitaria porque ele estaria lutando pela justiça, alias, ela já o tinha aceitado quando destruíram o Muro das Lamentações. Então a mudança do MDM não faz sentido.

Quanto ao Camus, vou dar o braço a torcer, ficou interessante sua mudança, entretanto ele se comportou igual ao Hyoga, coisa que ele sempre condenou, viveu com sentimentalismo intenso, chegando a lugar contra seus companheiros, por conta de sua culpa alto-infringida e sua “dívida” para com o amigo. Isso é, no mínimo, estranho.

Vou relacionar um ultimo problema: A questão do tempo e das horas. No Inicio de SoG vemos que o MDM está com cavanhaque, que precisa de pelo menos duas semanas para ficar parecido com aquilo, mas na história, eles ressuscitaram momentos depois da destruição do Muro das Lamentações e concluíram sua missão enquanto Atena ainda estava nos Campos Elísios. Na saga Clássica, esse ínterim dura cerca de seis horas, como então o MDM desenvolveu aquele cavanhaque? Além disso, tiveram tempo para explorar a cidade, conhecer pessoas e até se apaixonar? Eis aí um erro de cronologia, mas que dá para perdoar.

As coisas boas ficam por conta de Aiolia, Afrodite, Miro, Aioros e Saga.

Aiolia demonstrando liderança que sempre se esperou dele. Isso foi muito interessante, O cavaleiro de Leão deu a cara pra bater e tomou a frente de todo combate (ok, pode ser protagonismo, mas que foi interessante, foi).

Afrodite demonstrou um poder muito interessante, que é o de conversar com as plantas. Ponto para os autores. Isso foi fundamental para a trama, manteve sua personalidade narcisista, mas foi justo e companheiro. Muito legal.

Miro, continua falando pelos cotovelos e arrogante como sempre, mas demonstrou personalidade, empatia, não subestimou o adversário e não hesitou em momento algum. Em minha opinião, um dos melhores Golds deste arco.

Aioros e Saga, a cena em que Aioros perdoa Saga e lutam juntos, me fez suar pelos olhos.

Além dessas coisas podemos ressaltar o modo com que Loki foi introduzido à história, as referencias utilizadas foram perfeitas porque partiram de referencias históricas reais. Ponto para os autores.

Bom, essas são minhas considerações a respeito desta magnifica obra, deixem suas opiniões, adoraremos ampliar essa discussão

Abraço a todos

Raphael


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